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Cachorro comendo cocô: por que faz e como parar

Coprofagia é comum e quase sempre tem causa identificável: parasita, má absorção, fome, tédio ou aprendizado. Brigar costuma piorar.

13 de agosto de 2026·4 min de leitura
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Tutor recolhendo os dejetos do cachorro no gramado com saquinho
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Poucos hábitos causam mais repulsa em tutor do que ver o cão comer as próprias fezes ou as de outro animal. O nome técnico é coprofagia, e ela é bem mais comum do que se imagina. Em filhotes, chega a ser considerada parte da exploração normal do ambiente.

A repulsa é humana; para o cão, fezes têm cheiro de matéria orgânica digerível. O que importa é que existe causa, e que ela costuma ser identificável.

Riscos reais

Antes das causas, o que justifica resolver:

  • Reinfestação parasitária: ovos de verme presentes nas fezes reiniciam o ciclo, e é o motivo pelo qual o cão que come cocô nunca fica livre de verme;
  • Protozoários: giárdia e coccídios se transmitem por via fecal-oral;
  • Bactérias: quadros de gastroenterite;
  • Medicamento em fezes de terceiros: risco real quando o cão come fezes de outro animal em tratamento;
  • Fezes de gato: além do risco parasitário, a areia sanitária aglomerante pode causar obstrução.

Causas clínicas, que precisam ser descartadas primeiro

Coprofagia persistente em cão adulto merece exame antes de qualquer tentativa de correção comportamental:

  • Parasitose intestinal: a mais comum e a mais simples de tratar. Exame de fezes e vermifugação adequada;
  • Má absorção e insuficiência pancreática exócrina: o alimento passa parcialmente digerido, e as fezes ainda têm nutriente. O cão não está sendo estranho, está aproveitando comida. Sinais associados: fezes volumosas e claras, perda de peso com apetite aumentado;
  • Dieta inadequada ou insuficiente: ração de baixa digestibilidade ou porção abaixo da necessidade;
  • Condições que aumentam a fome: diabetes, hipertireoidismo, e uso de corticoide;
  • Anemia e deficiências nutricionais.

Por isso o primeiro passo é uma consulta em clínica veterinária, com exame de fezes. Tratar como vício comportamental um cão com insuficiência pancreática não vai a lugar nenhum.

Causas comportamentais

  • Limpeza materna: a fêmea ingere as fezes dos filhotes nas primeiras semanas, por higiene do ninho. É normal e cessa sozinho;
  • Exploração no filhote: ele conhece o mundo pela boca. A maioria abandona o hábito;
  • Tédio e falta de estímulo: cão sozinho muitas horas em espaço pequeno arruma o que fazer;
  • Aprendizado por atenção: este é o mecanismo mais subestimado. O cão come cocô, o tutor grita e corre atrás. Para um cão carente, gritaria é atenção, e ele repete. Alguns aprendem a comer rápido justamente para não perder a chance antes da chegada do humano;
  • Punição na fase de treino de banheiro: cão punido por fazer no lugar errado pode passar a eliminar a evidência. É o efeito colateral mais perverso de brigar pelo xixi, assunto que tratamos em ensinar o cão a fazer no lugar certo;
  • Ambiente muito confinado: cão que não consegue afastar-se da própria eliminação perde a separação natural entre área de descanso e área de eliminação.

O que funciona

1. Gestão do ambiente, que resolve a maioria dos casos. Recolher as fezes imediatamente é a medida mais eficaz e a mais chata. Sem acesso, não há comportamento, e comportamento não praticado enfraquece. Caixa de areia do gato fora do alcance do cão.

2. Trate a causa clínica apontada no exame: vermifugação correta, ajuste de dieta, ou tratamento específico.

3. Reveja a alimentação. Ração de boa digestibilidade, porção adequada ao peso e ao gasto, e refeições divididas em duas ou três ao dia reduzem fome entre elas. Sobre escolher, veja como escolher a ração.

4. Aumente o estímulo. Farejamento no passeio, brinquedo de enriquecimento com comida, e algo para roer ocupam a mesma motivação oral por caminho aceitável.

5. Ensine um comportamento alternativo. Treinar "deixa" e "vem" com recompensa alta, e chamar o cão para você assim que ele terminar de eliminar, oferecendo petisco. Ele aprende que sair de perto das fezes vale mais do que se aproximar.

6. Ignore, não persiga. Retirar a plateia é parte do tratamento. Recolha em silêncio, sem drama.

O que não funciona ou piora

  • Brigar e perseguir: reforça por atenção e ensina a comer rápido e escondido;
  • Esfregar o nariz: gera medo, não aprendizado;
  • Aditivos que "amargam" as fezes: existem produtos com essa proposta e a eficácia é inconsistente. Não substituem investigar a causa, e nada resolve quando o cão come fezes de outro animal que não recebeu o produto;
  • Pimenta ou molho picante nas fezes: circula como receita caseira, é ineficaz e pode causar irritação grave se ingerido.

Quando levar a sério rápido

Procure atendimento sem esperar se houver: perda de peso com apetite aumentado, diarreia crônica, fezes volumosas e claras, vômito, apatia, ou início súbito do hábito em cão adulto que nunca fez isso. Nesses casos a coprofagia é sintoma, não hábito, e o sintoma aponta para o intestino.

Coprofagia piora em ambiente coletivo mal higienizado, o que entra direto na lista de o que checar antes de deixar seu animal em creche ou hotel.

Sobre o autor

Equipe BitCão

Equipe editorial do BitCão. Produzimos guias sobre cuidados, comportamento e saúde de cães e gatos, sempre indicando as fontes consultadas e revisando o conteúdo antes de publicar.

Parte do conteúdo editorial é produzida com auxílio de inteligência artificial e revisada pela equipe antes de publicar.