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Cachorro que rói tudo: por que faz e como resolver

Roer libera endorfina e é comportamento normal em qualquer idade. O que muda é a causa: dentição, tédio ou ansiedade de separação pedem respostas diferentes.

11 de agosto de 2026·5 min de leitura
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Cachorro adulto roendo mordedor apropriado, deitado no tapete
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Sapato destruído, pé de cadeira marcado, rodapé roído. A leitura mais comum é que o cão fez de propósito, por raiva de ter ficado sozinho. A leitura correta é mais simples e mais útil: roer é uma necessidade comportamental da espécie, tão normal quanto latir, e o cão que rói móvel geralmente não tem à disposição nada mais adequado para roer.

Por que o cão rói

Mastigar libera endorfina. É por isso que roer acalma, e é por isso que o comportamento aumenta justamente nos momentos de estresse ou de energia acumulada. Além do efeito calmante, mastigar mantém a musculatura da mandíbula ativa e ajuda no controle de placa bacteriana.

Nenhuma dessas funções desaparece quando o cão cresce. Filhote rói mais por causa da dentição, mas adulto continua precisando roer, e essa é a parte que a maioria dos tutores não sabe.

Três causas diferentes, três soluções diferentes

Dentição, entre os três e os sete meses

A troca dos dentes de leite pelos permanentes deixa a gengiva inflamada e com coceira. O filhote procura textura para pressionar, e o pé da mesa serve. Aqui a resposta é oferecer alternativa adequada e restringir o acesso ao que não deve ser roído: recolher sapato, proteger fio elétrico com canaleta, limitar o cão a um ambiente à prova de mordida quando não houver supervisão.

Mordedor de borracha resistente resfriado na geladeira, nunca no congelador, alivia bem. Frio anestesia a gengiva; congelado a ponto de endurecer demais machuca.

Tédio e energia sobrando

É a causa mais comum em adulto. Cão que passa dez horas sozinho, sem nada para fazer e sem gasto físico e mental adequado, arruma ocupação. O sofá é o que está disponível.

Não se resolve isso com repreensão, porque a destruição acontece na sua ausência e o cão não associa a bronca de depois ao ato de horas antes. Resolve-se aumentando o gasto certo: caminhada com tempo para farejar em vez de trajeto apressado, brinquedo de enriquecimento que exige trabalho para liberar comida, e ração servida em brinquedo dispensador em vez do pote. Um cão que trabalha vinte minutos para conseguir a própria refeição chega ao resto do dia bem menos disponível para destruir.

Ansiedade de separação

Aqui o quadro é diferente e a distinção é importante. Sinais típicos:

  • A destruição concentra-se em porta, janela e batente, ou seja, nas vias de saída;
  • Começa nos primeiros 15 a 30 minutos depois de você sair;
  • Vem acompanhada de vocalização contínua, salivação excessiva, xixi ou cocô em cão que já era limpo;
  • O cão já se agita quando você pega a chave, antes de sair;
  • Às vezes há automutilação, com lambedura de pata até ferir.

Ansiedade de separação não se resolve com mais brinquedo nem com mais exercício. É um quadro que pede protocolo de dessensibilização conduzido por profissional de comportamento e, em parte dos casos, avaliação veterinária para suporte medicamentoso. Insistir só em enriquecimento nesse cenário costuma prolongar o sofrimento do animal.

O que oferecer, e o que evita ida à emergência

A regra que orienta a escolha: o objeto deve ceder um pouco à pressão do dente e não deve lascar em fragmento pontiagudo.

Opções geralmente seguras:

  • Mordedor de borracha atóxica resistente, no tamanho compatível com o porte;
  • Brinquedo recheável, que combina mastigação com trabalho para conseguir comida;
  • Mordedor de corda de algodão, com supervisão e descarte quando desfiar;
  • Petisco mastigável específico para cães, respeitando as calorias do dia.

Riscos conhecidos, que valem conversar com o veterinário antes:

  • Osso cozido: lasca em pedaço afiado e é causa clássica de perfuração e obstrução. Evite.
  • Osso muito duro e chifre: associados a fratura de dente, sobretudo do dente carniceiro.
  • Pedaço de pau recolhido na rua: lasca e crava na gengiva ou no palato.
  • Pedra e bola de tênis: desgastam o esmalte de forma acelerada.
  • Brinquedo de tecido com enchimento: não é problema para quem carrega, mas cão que rasga e engole enchimento pode obstruir.

Sinal de alerta depois de roer: cão que para de comer, saliva demais, mexe muito na boca com a pata, vomita repetidamente ou fica apático. Obstrução por corpo estranho é emergência.

A parte que dá resultado mais rápido

Duas mudanças simples resolvem boa parte dos casos de tédio, e ambas dependem mais de rotina do que de dinheiro.

Gerencie o ambiente. Enquanto o cão está aprendendo, tire de alcance o que não pode ser roído em vez de contar com autocontrole que ele ainda não tem. Isso não é ceder, é evitar que ele pratique o comportamento errado, porque cada repetição fortalece o hábito.

Troque, não confisque. Ao pegar o cão roendo algo indevido, ofereça um mordedor em troca e elogie quando ele aceitar. Arrancar da boca e brigar ensina duas coisas ruins: que perto de você o objeto é perdido, e que vale esconder para roer. Isso pode evoluir para proteção de recurso, que é problema bem maior que sapato.

Também vale a rotação: guarde parte dos mordedores e alterne a cada poucos dias. Objeto que reaparece depois de um tempo volta a ter novidade, e novidade é metade do interesse.

Roer não é fase que passa

A intensidade da dentição passa. A necessidade de mastigar, não. Cão adulto que tem algo apropriado disponível todos os dias raramente procura o rodapé. Encarar a mastigação como item permanente da rotina, junto com passeio e alimentação, é o que separa um cão que rói o mordedor de um que rói a casa.

Se houver suspeita de dente fraturado, gengiva inflamada ou ingestão de fragmento, procure uma clínica veterinária na sua cidade. E para escolher objeto adequado a cada fase da vida, veja brinquedos para cada idade do cachorro.

Antes de contratar, vale ler o como saber se o estabelecimento pet é regular.

Sobre o autor

Equipe BitCão

Equipe editorial do BitCão. Produzimos guias sobre cuidados, comportamento e saúde de cães e gatos, sempre indicando as fontes consultadas e revisando o conteúdo antes de publicar.

Parte do conteúdo editorial é produzida com auxílio de inteligência artificial e revisada pela equipe antes de publicar.