Chow Chow: temperamento, cuidados e saúde da raça
Chow Chow é reservado, territorial e independente, com pelagem dupla que exige escovação frequente e pouca tolerância ao calor brasileiro.

O Chow Chow é uma das raças mais antigas em circulação e uma das mais mal compreendidas. A aparência de urso de pelúcia, a juba densa e a língua azul-arroxeada atraem quem procura um cão diferente, e o temperamento que vem junto costuma surpreender: o Chow não é um cão festeiro, não busca aprovação e não se comporta como um Labrador de pelo comprido.
Temperamento: dignidade, não afeto fácil
Trata-se de um cão reservado, com forte senso de território e apego seletivo. Ele tende a escolher uma ou duas pessoas da casa e a manter distância cordial do resto do mundo. Não é agressivo por natureza, mas é desconfiado com estranhos e pouco tolerante a manuseio invasivo, o que inclui abraço apertado, criança pegando no colo e mão desconhecida vindo por cima da cabeça.
A independência é real: o Chow aprende, mas obedece quando enxerga sentido, não por vontade de agradar. Adestramento com reforço positivo funciona; método baseado em confronto tende a produzir um cão que trava e resiste. Socialização precoce, entre os dois e os quatro meses, com pessoas, sons e outros animais, é o que mais diferencia um adulto equilibrado de um adulto arredio.
É um cão que combina com casa tranquila, adulto que respeita espaço e rotina previsível. Combina pouco com casa cheia, movimento constante e criança pequena que ainda não aprendeu a não incomodar cachorro deitado.
A pelagem é o maior trabalho
O Chow tem pelagem dupla: uma camada externa de pelo mais duro e uma camada interna densa e lanosa. Existem duas variedades, a de pelo longo e a de pelo curto (smooth), e nem a curta é de baixa manutenção.
- Escovação: de duas a três vezes por semana no dia a dia, e diária nos períodos de troca de pelo. Sem isso o subpelo embola perto da pele e forma nós que só saem cortando.
- Regiões críticas: atrás das orelhas, na juba, nas axilas e na parte de trás das coxas, onde o nó se forma primeiro e passa despercebido.
- Banho: a cada quatro a seis semanas, com secagem completa. Pelagem dupla mal seca retém umidade junto à pele e é caminho aberto para dermatite.
Não tosquie o Chow rente. A camada dupla funciona como isolamento térmico nos dois sentidos, e raspar o pelo não refresca: expõe a pele ao sol e pode fazer o pelo voltar com textura irregular. Tosa higiênica em patas e região perianal, sim. Raspar o corpo, não. Se a pelagem chegou a um ponto em que já não dá para desembaraçar, isso é conversa com um profissional de banho e tosa, não tarefa para tesoura em casa.
Calor brasileiro é o principal desafio
A raça foi desenvolvida para o norte da China, e o corpo dela não combina com verão tropical. Some a pelagem dupla ao focinho relativamente curto e o resultado é um cão com tolerância baixa ao calor e risco real de insolação.
Na prática: passeio só no começo da manhã e no fim da tarde, nunca no asfalto quente, água fresca sempre disponível e ambiente ventilado ou climatizado nos dias mais quentes. Ofegação intensa, salivação espessa, gengiva muito vermelha, cambaleio ou vômito em dia quente são emergência, não desconforto passageiro: molhe o cão com água em temperatura ambiente, nunca gelada, e vá para uma clínica.
Problemas de saúde que a raça carrega
Como toda raça de linhagem fechada, o Chow tem predisposições conhecidas. Saber quais são não serve para alarmar, serve para escolher criador com responsabilidade e para saber o que monitorar.
- Displasia de quadril e de cotovelo: comum em raças de porte médio a grande e de estrutura pesada. Criador sério apresenta avaliação radiográfica dos pais.
- Entrópio: a pálpebra se dobra para dentro e o cílio raspa a córnea. Causa lacrimejamento, dor e úlcera, e a correção é cirúrgica.
- Luxação de patela: a rótula sai do lugar, provocando claudicação intermitente.
- Dermatite e otite: consequência direta da pelagem densa mal ventilada e mal seca.
- Hipotireoidismo: aparece em adultos, com ganho de peso, apatia e pelo opaco.
- Sensibilidade anestésica: a raça é citada como menos tolerante a certos protocolos, o que faz da conversa pré-cirúrgica com o veterinário algo mais importante do que de hábito.
A língua azul e o que ela não significa
A pigmentação azul-arroxeada da língua e da mucosa oral é característica da raça e aparece nas primeiras semanas de vida. É normal e não indica nada de clínico. O que não é normal é a língua ficar azulada de repente num cão que não tinha essa pigmentação, ou a mucosa de um Chow mudar de tom, empalidecer ou arroxear em quadro agudo: aí é sinal de oxigenação ruim e vira urgência.
Exercício e espaço
O Chow não é atlético e não precisa de corrida longa. Duas caminhadas curtas por dia, em horário fresco, atendem bem. Ele adapta-se a apartamento melhor do que o tamanho sugere, justamente por ser sedentário e pouco vocal, desde que o calor esteja resolvido. O que ele não tolera é solidão prolongada somada a tédio, combinação que em cão territorial tende a virar vigilância excessiva e reatividade a barulho de corredor.
Antes de escolher a raça
O Chow Chow é uma boa escolha para quem quer um cão de presença calma, ligado à casa, que não exige interação constante e que dispensa muito exercício. É uma escolha ruim para quem quer um cão sociável com qualquer visita, que aceite manuseio de criança pequena, ou para quem mora onde faz muito calor e não tem como climatizar o ambiente.
Se a pelagem for o fator decisivo contra, vale olhar raças de pelo curto antes de desistir de ter cão. Se o temperamento reservado for o que atrai, leia também nosso texto sobre o que considerar antes de ter um cachorro. E para acompanhamento ortopédico e oftálmico, que nesta raça começa cedo, procure uma clínica veterinária na sua região.
Pelagem dupla e temperamento reservado tornam a tosa uma escolha delicada, porque nem todo profissional sabe conduzir a raça. Antes de decidir, use o como comparar serviços pet na sua cidade.
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